quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Um vaga-lume lanterneiro que riscou um psiu de luz"



A barriga dói, o rosto estica e os músculos das buchechas atingem a fadiga.
É impossível esconder as covinhas...

A meia luz, luz da lua, que invade a janela, estrala nos rostos quase eufóricos e apimenta o pensamento do expectador, personagem e roteirista desse faz de conta.

Desmilinguindo-se, o sorriso da moça passeia sobre ela.
Os pés não param quietos e os olhos acompanham o movimento da boca:sutil, calmo, quase envergonhado.
É dificil ver o que nunca se sentiu.

Num repente, os sorrisos se misturam.
Brinca-se de espelho. O jogo nasce sem querer e só o que lhes cabe é dançar.
Num relance, ele reconhece nela parte de seu sorriso. O fugitivo estava lá, desenhado igualzinho. Junto aos olhinhos admirados com toda aquela dança, ele se fazia real.

No silencio, se escondia.
Por quase dois piscares de olhos ele descansava.

E logo se vestia de gargalhada.
A barriga dói, o rosto estica e os músculos das buchechas atingem a fadiga.
É impossível esconder as covinhas...





A pena, está na pena de reaprender a sorrir. Sem ignorar aquilo que lhe foi incorporado, aquilo que se perdeu e aquilo que deve-se experimentar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Não viver esse mundo. Se não há outro mundo, por que não viver?


“Um jovem queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá e foi procurar o grande mestre. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Logo, lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão.”


É daí que nasce “Wabi Sabi”, uma forma míope de viver a vida. Imperfeita, inicialmente melancólica e com pouco sentido para os que levam tudo muito a sério. É a óptica da simplicidade, naturalidade e aceitação do real.

Toda e qualquer ação de um homem deve ser suficiente delicada a ponto de não interferir na verdadeira natureza das coisas . E toda natureza tem seu ciclo. A flor nasce, se deslumbra e morre.

Pode-se ter uma tulipeira inteira, que todas elas vão morrer. Ou acaba-se por massacrá-las em troca de alguma especulação muito (pouco) valiosa. É o “ouro” da vez, não tem como escapar...

Há de se cuidar de cada semente não para que a flor seja perfeita, mas para que o fruto seja sincero.

“E prá ter outro mundo
É preci-necessário
Viver!
Viver contanto
Em qualquer coisa
Olha só, olha o sol”

Besta é tu!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

*Um passo à frente, e você não está mais no mesmo lugar.

Dana old father

Já cortei o cabelo,
Mudei o tom do esmalte,
Troquei meu guarda-roupa.

Aprendi qualquer coisa sobre alguma coisa que me era de interesse.

Gargalhei de novo,
Resgatei contatos,
jurei ter me encontrado,
prometi nunca mais desencontrar.

Disseram que emagreci,
Disseram que estava mais bonita,
Disseram que era muito melhor assim.

Mudei meu telefone,
Mudei minha faculdade,
Mudei minhas senhas, meus endereços,
Mudei o contorno dos meus sonhos.

Lutei contra o ceticismo,
Contra o relativismo,
Lutei até contra o "ranzizismo"

E sinto que ainda estou engatinhando...