
É impossível esconder as covinhas...
A meia luz, luz da lua, que invade a janela, estrala nos rostos quase eufóricos e apimenta o pensamento do expectador, personagem e roteirista desse faz de conta.
Desmilinguindo-se, o sorriso da moça passeia sobre ela.
Os pés não param quietos e os olhos acompanham o movimento da boca:sutil, calmo, quase envergonhado.
É dificil ver o que nunca se sentiu.
Num repente, os sorrisos se misturam.
Brinca-se de espelho. O jogo nasce sem querer e só o que lhes cabe é dançar.
Num relance, ele reconhece nela parte de seu sorriso. O fugitivo estava lá, desenhado igualzinho. Junto aos olhinhos admirados com toda aquela dança, ele se fazia real.
No silencio, se escondia.
Por quase dois piscares de olhos ele descansava.
E logo se vestia de gargalhada.
A barriga dói, o rosto estica e os músculos das buchechas atingem a fadiga.
É impossível esconder as covinhas...
A pena, está na pena de reaprender a sorrir. Sem ignorar aquilo que lhe foi incorporado, aquilo que se perdeu e aquilo que deve-se experimentar.

