sexta-feira, 30 de abril de 2010

Computadores fazem arte



Conversa vai, conversa vem e eis que o camarada solta que pagou uma batelada de dinheiro, de 2 dígitos seguidos e 3 zeros, em um escudo protetor de magia em um jogo online.


Estou falando de 2 dígitos seguidos e 3 zeros, porque é legal andar como um Deus pelo jogo. É aquele número que você não aprende no “prézinho” e só vê na sua conta bancaria (pausa reflexiva). Quando será que eu vou ver essa grana na minha conta, hein?!


A aula continua e o foco das atenções vai para o Willian Bonner e seu twitter. Porque ele precisa ser jornalista 24 x 7 e só dar noticias o tempo todo.


Imagina que legal a forma como as pessoas imaginam o café da manhã da família: “Bom dia, bem. Uma criancinha chinesa acabou de tomar um tombo ao ir de bicicleta para escola”. Ai a Fátima responde “Bom dia, bem! Puxa, no México, aconteceu algo semelhante, mas o que mais me causou espanto esta manhã foi o caso daquele senhor que comeu um ovo estragado”. Aí chegam as crianças: “Papai, Papai, Papai” E o jornalista-pai (nessa ordem) responde: “Filho, você ficou sabendo da história do pai que escravizou o filho e o obrigou a ficar jogando RPG online pra tirar uma grana?”. Ele responde: “ E o homem incrível não apareceu pra intervir porquê?”.


Do fundo da sala alguém revela. “Trabalho em assessória e um cliente me ligou pra dizer que quer que o Willian Bonner fale no twitter dele sobre o evento X que vai rolar.” Aí ela genialmente respondeu. “Claro amigo, vou ligar pra ele e falar Bonnão, quebra essa?”. Alguém completou: “Você pode ligar pro assessora dele que ele deve cobrar uma grana e fala”.


Para, para, para, para, para e pensa.


A idéia da web 2.0 não é a conversa de pessoas com pessoas? Então por que cargas d água o bonitão compra o tal escudo em vez de jogar e interagir com os outros coleguinhas para consegui-lo? Por que o produtor do evento não deixa quem quer falar, falar sobre evento falar.


Eu não sou contra o e-commerce, pelo contrario, acho que podem surgir idéias geniais. Como a história das sementes azuis da colheita feliz na época da páscoa, que trouxe de presente para os usuários do joguinho pés de bis.


O que me causa medo é a legitimidade e promiscuidade disso tudo. Me assusta uma pessoa ser paga para falar em nome dela, não em nome de uma instituição, sobre um evento que talvez nem o interesse.


Inocência a parte, isso sempre existiu. O que me deixa agoniada é ver que estamos deixando passar uma oportunidade incrível de nos tratarmos como pessoas. Cada vez mais cedo, as crianças fazem amizade com pessoas distantes e aprendem uma série de coisas sobre tolerância e respeito às diferenças. Era esse o momento de resgatar e disseminar “paz e amor”, ensinar e aprender o que é respeito. As pessoas são diferentes e não há problema nisso.


Seria um aprendizado sem dor nenhuma, pelo contrário, no mínimo iríamos retardar o julgamento para com o outro. Na internet a gente não vê só o olho, o cabelo e a bunda.


A gente tenta entender a forma como a pessoa se expõe, o que gosta de fazer, falar, ouvir, ler. Pode conversar, conhecer, ajudar...


O “viralzinho” é meio clichê, mas faz um sentido absurdo: “ As crianças estão colecionando pulseirinha do sexo e os adultos álbum da copa.” Está tudo muito estranho e ninguém esta fazendo nada pra mudar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pra sonhar com borboletas amarelas violetas



É pela vontade de contar algo indescritível que rabisco por aqui.

A coisa mais emocionante pela qual passei, sem dúvida, foi a de ver o filho chegando aos braços da mãe. Por um segundo me desprendo do papel de tia coruja para apenas observar atenta a cena.

Como de costume, não me lembro da cor da parede, muito menos das caras e bocas de ninguém e, embora grite orgulhosa que o pimpolho é forte e saudável, tudo o que posso lhes dizer é sobre um arrepio na espinha e um aperto diferente no coração.

A enfermeira conferiu o número do quarto durante uma eternidade e o choro do mais novo anjinho soava "agoniantemente confortável”. Ali, parado e indefeso, ansiando saber o que lhe espera.

O “boom” de energia que invadiu a cena não tem descrição. Uma família. Nasceu ali uma família. Uma mulher se transformou em uma mulher e o homem passou a ter cara de pai. Assim, naturalmente.

Num repente, cada um vestiu seu uniforme e assumiu seu papel diante daquele que agora era o centro do mundo.

Eu, não satisfeita em ser expectadora, me vesti de intrometida e carimbei um sorriso no rosto. Afastei qualquer fastígio de desagrado com a vida e percebi um motivo a mais pelo qual viver .

“E as estrelas
Prateadas (douradas, brilhantes, de esmeraldas)
Lá do céu
Vão iluminar

As fadas (e os duendes, elfos, curupiras)
As flores
O rio
O mar

E aqui dentro
No escurinho
Os braços
Desta canção

Vou te ninar

Feche os olhos
De mansinho
Deixa o sono
Pousar, meu anjinho!”

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