Resolvi escrever alguma coisa menos laica e metafórica dessa vez. Acho que finalmente consegui parar pra ver, pra me ver. Sei que só fiz isso porque encontrei você. Não quero falar em terceira pessoa, nem omitir qualquer coisa por medo de um dia se voltar contra mim. Não mesmo.
Nos últimos 10 meses aprendi um bocado de coisas sobre amigos, amores e terceiros. Tudo que eu mais quero é não ter medo de aceitar, que por sorte ou azar, as pessoas mentem, as pessoas traem, as pessoas humilham, mas as pessoas entendem e as pessoas amam também.
Quero aceitar que às vezes se tem a sorte de encontrar alguém que quer lhe assistir despida de qualquer farsa que o medo passado lhe tenha obrigado a vestir.
Qualquer ignorante sabe que os amigos são a coisa mais importante que se tem e fico ignorantemente maravalhinhada por reaprender isso diariamente.
Sempre levantei a placa de que orgulho não leva ninguém a lugar a algum, mas foi por causa dele que segui em frente.
Nunca tive medo de dar amor. Acredito que essa seja a única coisa da qual não nos arrependemos nunca. O problema é que quando se confia demais, se assiste pouco e nesse momento, qualquer fiozinho meio boca vira ferramenta de trabalho pra ventríloquos sem caráter. O show, se bem conduzido, pode ser lindo é verdade, mas boneca nenhuma vive sozinha interagindo com seus diferentes. Boneca nenhuma vive livre de passado, valores e sonhos.
Foi por raiva que não quis me desprender das minhas convicções. Foi por raiva que quis viver e foi por raiva que fiquei verdadeiramente aberta pra encontrar alguém, ainda que despreparada.
Encontrei pessoas legais que me achavam legal e tinham amigos legais. Ser legal é um saco.
Nesse momento, quase me entreguei, mas foi pensar no sorriso de satisfação que daria ao me ver rendida no mundo dos ranzinzas, onde o que reina é a acomodação e aceitação das nojeras que eles mesmo alimentam, que criei força pra seguir.
Por raiva, acreditava mais, mais e mais, assim, sinceramente, repetido três vezes.
Acontece que quando o coração dispara meu amigo, literalmente não se vê nada ao redor. Não se tem certeza, não existe raiva e não há abertura que impeça o medo de chegar. Nada é tão inteligente quanto o corpo, que não só lhe avisa a hora certa, como não lhe dá a escolha de disfarçar tamanha emoção.
Seu coração já disparou de verdade?! Você já olhou pra alguém que mal conhecia, gaguejou e disse que simplesmente não conseguia falar?!
Se já, qual foi a reação dela? Ela te deu a mão para que você criasse coragem pra pular? Olhou nos seus olhos e pediu a verdade, a verdade de verdade? Quis mostrar os traumas e medos para que você mostrasse os seus também? Quis pintar, apagar, editar, recordar, carimbar o passado, os dois passados, todos misturados numa única tela?!
Você se lembra quando tinha 15 ou 16 anos e se apaixonou? E saiu pelas ruas sem saber pra onde ia, sem ouvir o que lhe diziam?
Já sentiu, pela primeira vez, que tudo que você costumava sonhar antes de dormir, lá pelos 13 anos, existe?
Pois bem, quando essa pessoa aparece, se tem duas escolhas: ou entra pro mundo dos ranzinzas e fica com medo de mostrar a grandeza do/para o mundo. Ou vira seus traumas e entende que quando a oferenda é de coração, abertura e “legalzismo” não é suficiente, é necessário ser você.
Não quero falar em terceira pessoa, nem omitir qualquer coisa por medo de um dia se voltar contra mim. Não mesmo.
Quero te entregar a fita bruta, porque lá na frente, quero estar com você na ilha de edição.

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