terça-feira, 25 de maio de 2010

Entre Linhas

                                                   Marina Faria - Blog Fragmentos


Ainda que ainda lhe disparasse o coração, não era mais o sorriso que lhe importava.

A dança das linhas era encantadoramente perfeita. Chego a desconfiar que, assim como o bom maestro brinca com a expectativa de seu público, as linhas, recheadas de hedonismos, fazem torturinhas com a menina atenta.

Entre contorções e transformações, cantarolando para lá e pra cá, deixam borrar moldura no canto da boca. Logo se perdem entre pelos e, fingindo ser sem querer, conduzem o olhar até olhar, envolvido por um contorno que combina com a moldura lá embaixo.

Ali escondido, o mundo inteiro.

Agora os gestos também lhe sopravam curiosidade. Era um cadinho de vocábulo esbarrado no cabelo tal, o andar meio tímido, as descobertas...
Era a combinação do homem que, quanto mais maduro, mais menino...

Ainda que ainda lhe disparasse o coração, não eram mais os gestos que lhe importava.

Impotente diante daquele mundo maravilhosamente inatingível, a menina sentia frio em pensar que não poderia protegê-lo de todas as dores.

A imagem do mundo transbordando sob o contorno que combinava com o borrão que o sorriso dele trazia pra ela...

Ali, escondido do mundo inteiro.

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