sexta-feira, 14 de maio de 2010

Para Pito para Grito


Ontem seu cheiro no meu travesseiro não me deixou dormir. Olhando pro teto, agora sem estrelas, dediquei meu tempo a pensar.

Não me desesperei com a falta de sono nem procurei algo pra fazer.

Só fiquei olhando e sentindo aquilo que era tão meu que pouco percebia sua importância.

Lembrei de como me lembrava há alguns anos. Peguei qualquer rabisco cheio de erros ansiosos e citações profundas e sorri.

Pensei, pensei, pensei até chegar nos sonhos.

Eram eles que me faltavam. Haviam derretido de forma tão natural e sutil que nem me dei conta da fuga.

Foi desde lá, quando me furaram a primeira bola no meio da rua, que ele ameaçou se perder. Ele, junto a seriedade intensa ou a intensidade mal compreendida, tentou fugir.

Segui jogando....

mas ontem seu cheiro no meu travesseiro não me deixou dormir. E foi por causa do seu cheiro que descobri que os sonhos me faltavam.

Naquele rabisco, que não era de qualquer importância, li exatamente a mesma jogada. Só que agora, já não era a primeira bola que me furavam e voltar a deitar mais cedo para investir tempo planejando os gols se tornava cada vez mais difícil.

Era lembrar a vida real do dia seguinte pra me virar pra tentar dormir. Com a cabeça mais próxima ao travesseiro, seu cheiro ficava mais e mais e mais forte e o sono não vinha.

Certa vez, me contaram que quando se pensa em algo que não existe, uma parte X do cérebro ativa e nos trás o sono.

... Porcos com bolinhas roxas e passarinhos xadrezinhos, flores quadradas e plantações de alcachofra chinesa...

Pensei no mundo todo e cheguei a nós, assistindo a tudo isso.

Lembrei da gente, deitado lado a lado num sábado a noite de barriga pra cima olhando pro teto recheado das estrelas que só nós enxergamos.

Lembrei o quanto sonhamos e quão diferentes somos.

Pensei que tudo só é tão diferente e as pessoas só cometem atitudes tão idiotas para que eu possa estar aqui, egocentricamente vivendo um dilúvio de sonhos, pensando na gente.

....Rs...

Aos meus olhos estavam bola, rua, campo e eu seguindo jogando porque sei o que sofro e me rebolo para continuar menino como a rua que continua uma pelada.

Um comentário:

  1. Bubble Soap Melekinha life's

    A história da molequinha que joga futebol com bola de sabão

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