sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pra sonhar com borboletas amarelas violetas



É pela vontade de contar algo indescritível que rabisco por aqui.

A coisa mais emocionante pela qual passei, sem dúvida, foi a de ver o filho chegando aos braços da mãe. Por um segundo me desprendo do papel de tia coruja para apenas observar atenta a cena.

Como de costume, não me lembro da cor da parede, muito menos das caras e bocas de ninguém e, embora grite orgulhosa que o pimpolho é forte e saudável, tudo o que posso lhes dizer é sobre um arrepio na espinha e um aperto diferente no coração.

A enfermeira conferiu o número do quarto durante uma eternidade e o choro do mais novo anjinho soava "agoniantemente confortável”. Ali, parado e indefeso, ansiando saber o que lhe espera.

O “boom” de energia que invadiu a cena não tem descrição. Uma família. Nasceu ali uma família. Uma mulher se transformou em uma mulher e o homem passou a ter cara de pai. Assim, naturalmente.

Num repente, cada um vestiu seu uniforme e assumiu seu papel diante daquele que agora era o centro do mundo.

Eu, não satisfeita em ser expectadora, me vesti de intrometida e carimbei um sorriso no rosto. Afastei qualquer fastígio de desagrado com a vida e percebi um motivo a mais pelo qual viver .

“E as estrelas
Prateadas (douradas, brilhantes, de esmeraldas)
Lá do céu
Vão iluminar

As fadas (e os duendes, elfos, curupiras)
As flores
O rio
O mar

E aqui dentro
No escurinho
Os braços
Desta canção

Vou te ninar

Feche os olhos
De mansinho
Deixa o sono
Pousar, meu anjinho!”

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